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Enfermeiro alemão recebe pena máxima por série de homicídios em clínica de cuidados paliativos

O Tribunal Provincial de Aachen, no oeste da Alemanha, condenou à prisão perpétua o enfermeiro Ulrich S., de 44 anos, por assassinar dez pacientes e tentar matar outros 61 em uma clínica de cuidados paliativos na cidade de Würselen, entre dezembro de 2023 e maio de 2024.
De acordo com a investigação, o profissional aplicava injeções letais de barbitúricos e analgésicos potentes nos pacientes internados. A promotoria revelou que Ulrich agia para reduzir sua carga de trabalho noturno, eliminando ou imobilizando pessoas que demandavam maior atenção. O tribunal afirmou que o condenado se via como “dono da vida e da morte” durante seus turnos.
As suspeitas começaram quando familiares notaram um aumento incomum no número de mortes sob os cuidados do enfermeiro. Testemunhas relataram ter visto Ulrich aplicar substâncias em pacientes sem necessidade médica, inclusive enquanto dormiam.
Durante o julgamento, a defesa pediu absolvição, alegando falta de provas em alguns casos, e o acusado chegou a declarar que pretendia “fazer algo bom para os pacientes”. O argumento foi rejeitado pela corte, que destacou a frieza e a ausência de empatia do réu.
Embora a legislação alemã permita pedido de liberdade condicional após 15 anos em sentenças perpétuas, os juízes determinaram que a gravidade dos crimes impede qualquer benefício.
O caso causou forte repercussão na Alemanha e reacendeu o debate sobre a segurança e supervisão em instituições de saúde, lembrando episódios semelhantes protagonizados por chamados “anjos da morte” no país — como o enfermeiro condenado em 2019 por 85 homicídios.
A decisão é vista como um marco rigoroso na justiça alemã, reforçando a necessidade de controles mais rígidos e de maior vigilância ética na atuação de profissionais da área médica.
