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Crise de combustível se agrava em Cuba em meio a sanções dos EUA e dificuldades de importação
Escassez de petróleo leva a alta de preços e paralisação parcial da mobilidade na ilha; Rússia diz manter diálogo com Havana para buscar alternativas energéticas

A crise de abastecimento de combustível em Cuba se intensificou nos últimos dias, após o endurecimento dos efeitos do bloqueio econômico e petrolífero imposto pelos Estados Unidos. Segundo autoridades russas, Moscou mantém diálogo contínuo com o governo cubano na tentativa de viabilizar alternativas para reduzir os impactos da restrição.
O cenário atual provocou forte impacto no fornecimento de combustíveis na ilha. Na última semana, os preços da gasolina e do diesel praticamente dobraram em alguns pontos de distribuição, reflexo direto da escassez crescente.
Escassez se aprofunda no país
Desde o fim de março, Cuba não recebe novos carregamentos regulares de petróleo. O último envio registrado foi realizado pelo navio-tanque russo Anatoly Kolodkin, que transportou cerca de 700 mil barris — volume considerado suficiente para atender a demanda do país por aproximadamente duas semanas.
Nas últimas semanas, postos de combustíveis estatais em Havana passaram a operar com forte limitação ou simplesmente ficaram sem estoque, ampliando a crise já em curso. A falta de combustível afetou diretamente a mobilidade da população, com redução significativa do tráfego de veículos em diversas regiões.
Pressão econômica e incertezas
O governo cubano reconhece a gravidade da situação e admite dificuldades para garantir a regularidade das importações. Segundo autoridades locais, ainda existem possibilidades de compra no mercado internacional, mas os custos variam conforme fornecedor, logística, seguro e rotas de transporte — fatores que devem pressionar ainda mais os preços internos.
O cenário se agravou meses após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que ameaçou impor tarifas a países que exportassem combustível para Cuba, ampliando as tensões em torno do abastecimento energético da ilha.
Com a combinação de restrições comerciais, dependência externa e aumento dos custos globais, a população cubana já enfrenta limitações severas de circulação e se prepara para um período de maior instabilidade no fornecimento de energia e combustíveis.