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Argentina reduz inflação ao menor nível desde 2017 e confirma virada sob Milei
Queda histórica dos preços expõe falência do modelo intervencionista e valida ajuste fiscal adotado pelo novo governo

Depois de décadas marcadas por instabilidade monetária e inflação crônica, a Argentina começa a sair do ciclo de descontrole que corroeu sua economia. O país fechou 2025 com inflação acumulada de 31,5%, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec). O índice representa uma queda expressiva em relação aos 117,8% registrados em 2024 e é o menor patamar anual desde 2017.
O resultado tem forte peso político e simbólico. Trata-se do primeiro indicador concreto da guinada econômica promovida pelo presidente Javier Milei desde que assumiu o comando do país, em dezembro de 2023, rompendo com políticas intervencionistas que dominaram governos anteriores.
Apesar da melhora no acumulado anual, o comportamento mensal dos preços ainda inspira cautela. Em dezembro, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) avançou 2,8%, acima dos 2,5% registrados em novembro, marcando o quarto mês seguido de leve aceleração. O movimento indica que a inflação perdeu força, mas ainda não foi completamente neutralizada.
Os principais focos de pressão seguem concentrados em transporte, habitação e energia, setores diretamente afetados pelo corte de subsídios e pelo realinhamento tarifário — medidas centrais do programa de ajuste fiscal implementado pelo governo.
A desaceleração inflacionária está diretamente ligada à política de choque adotada por Milei. O congelamento de obras públicas, a redução drástica de transferências às províncias e o fim de subsídios a serviços essenciais permitiram ao país registrar superávits primários consecutivos, algo raro na história recente argentina. A melhora fiscal contribuiu para estabilizar o peso e ancorar expectativas no mercado financeiro.
O custo social do ajuste foi elevado. No primeiro semestre de 2024, a pobreza alcançou 52,9% da população. Um ano depois, o índice recuou para 31%, refletindo a desaceleração dos preços e uma gradual recomposição da renda real.
