Estamos nas Redes

Mundo

Amsterdã proíbe anúncios de carne e combustíveis fósseis em espaços públicos

Publicado

on

Medida inédita busca reduzir emissões e alinhar publicidade às metas climáticas da cidade até 2050, mas gera críticas de setores econômicos

Foto: Wikimedia Commons

A capital dos Países Baixos, Amsterdã, iniciou no dia 1º de maio uma nova política ambiental que proíbe a publicidade de produtos associados a altas emissões de carbono em espaços públicos. A medida, considerada inédita no mundo, atinge desde combustíveis fósseis até alimentos à base de carne.

A decisão foi aprovada pelo conselho municipal ainda em janeiro, por 27 votos a 17, e passou a ter força legal neste mês. Com isso, ficam proibidos anúncios de passagens aéreas, pacotes turísticos com voos, contratos de energia não renovável, cruzeiros movidos a combustíveis fósseis, veículos a gasolina ou diesel e itens alimentícios como hambúrgueres de fast food.

A regra vale para toda a paisagem urbana: outdoors, transporte público, fachadas e outros espaços de circulação não poderão mais exibir esse tipo de प्रचार. A proposta é alinhar a comunicação da cidade às metas climáticas estabelecidas pela administração local.

O objetivo de Amsterdã é alcançar a neutralidade de carbono até 2050 e reduzir o consumo de carne em até 50% no mesmo período. Segundo autoridades, não há coerência em incentivar produtos poluentes enquanto políticas públicas tentam reduzir emissões.

Essa iniciativa amplia restrições que já vinham sendo adotadas desde 2020, quando acordos com anunciantes começaram a limitar campanhas consideradas prejudiciais ao meio ambiente.

Antes da aprovação, organizações como Creatives for Climate e Fossil Free Advertising mobilizaram apoio por meio de uma carta aberta assinada por mais de cem profissionais.

Apesar do avanço, especialistas apontam que ainda não há evidências concretas de que a retirada desses anúncios altere diretamente o comportamento dos consumidores. O impacto prático da medida segue em debate.

Entidades do setor também reagiram. A Associação Holandesa de Carnes criticou a decisão, alegando interferência indevida nas escolhas do consumidor. Já a Associação Holandesa de Agentes de Viagens e Operadores Turísticos considera a restrição desproporcional à liberdade comercial.

A discussão não é isolada. Cerca de 50 cidades, principalmente na Europa, já adotaram ou estudam medidas semelhantes. Entre elas estão Haia, além de exemplos mais rígidos como Estocolmo, Edimburgo e Sydney, que avançaram para proibições totais desse tipo de publicidade.