Amazonas
Rio Negro acelera vazante, mas ainda mantém nível acima da média histórica em Manaus
Apesar da rápida descida em setembro, nível segue quase dez metros acima do registrado no mesmo período do ano passado

Após meses de enchente histórica, o Rio Negro entrou em uma fase de vazante acelerada em Manaus. Dados do Porto da capital indicam que, na sexta-feira (26), o nível do rio marcava 23,41 metros — uma queda significativa em relação às últimas semanas, mas ainda 9,48 metros acima do registrado em setembro de 2024, quando o medidor apontava 13,93 metros.
A mudança no comportamento do rio se tornou evidente ao longo de setembro. Se no início do mês a descida variava entre 9 e 10 centímetros por dia, apenas na quinta-feira (25) o recuo atingiu 19 centímetros. No acumulado do mês, o Negro já baixou mais de 3 metros, com média diária de 12 centímetros — ritmo mais que dobrado em comparação a agosto, quando a descida foi de apenas 1,72 metro em todo o período (média de 5,5 cm/dia).
Mesmo com a aceleração da vazante, o volume atual ainda reflete a cheia severa de 2025. Neste ano, o rio alcançou 29,05 metros, ultrapassando em cinco centímetros a cota considerada de inundação, fixada em 29 metros. A subida das águas teve início em 13 de outubro de 2024, logo após a pior seca em um século no Amazonas. Após oscilações, a elevação se tornou constante a partir de 7 de novembro, atingindo o pico em 8 de junho.
O prolongado período de cheia — que durou oito meses — deixou 42 dos 62 municípios amazonenses em situação de emergência. Mais de meio milhão de pessoas foram afetadas, enfrentando prejuízos na agricultura, dificuldades de transporte e alagamentos em áreas ribeirinhas.
A virada no cenário começou em julho, quando a vazante passou a se consolidar. Nos primeiros dias daquele mês, o Rio Negro ainda subiu três centímetros antes de estagnar no dia 8. Só então iniciou a descida, embora de forma lenta, com queda de apenas 50 centímetros até o final do período.
Agora, com a aceleração registrada em setembro, a expectativa é de que o nível continue recuando nas próximas semanas — ainda que o caminho até o patamar considerado de normalidade esteja longe de ser alcançado.