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Na segunda noite do Festival de Parintins, Garantido emociona com lenda amazônica, rituais e homenagens

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Tacacazeiras, Pajé e símbolos nacionais encantam o Bumbódromo

O boi-bumbá Garantido voltou à arena do Bumbódromo neste sábado (28), durante a segunda noite do Festival de Parintins 2025, com a apresentação da narrativa “A Lendária Epopeia de Tamapú”. A Cunhã-Poranga Isabelle Nogueira protagonizou a cena com uma interpretação marcante: uma mulher com traços de ave de rapina, encarnando a força da lenda amazônica. João Paulo Faria, amo do boi, prestou tributo ao tio Paulinho Faria, o inesquecível Garotinho de Ouro. A Figura Típica Regional destacou as tradicionais vendedoras de tacacá da Baixa, em uma cena sensorial que trouxe até o aroma do prato para o público. O encerramento foi conduzido com a “Toada para São Benedito”, dentro do subtema “Garantido – Patrimônio do Brasil”.

O ápice visual da noite veio da alegoria “Terra Brasileira”, parte da Celebração Folclórica, que reverenciou nomes como Jair Mendes e Inaldo Medeiros. Dela, emergiu o boi Garantido, ovacionado ao adentrar a arena acompanhado pela Vaqueirada e pela Porta-Estandarte Jeveny Mendonça, que surgiu da mesma estrutura cenográfica e se destacou com sua performance.

A apresentação valorizou expressões culturais que formam o patrimônio imaterial do país, como os fandangos do Sul, as cavalhadas do Centro-Oeste, os maracatus e frevos nordestinos e os sambas tradicionais da Bahia e do Rio de Janeiro.

A Sinhazinha do Boi, Valentina Coimbra, surgiu em trajes vermelhos típicos da personagem e encantou o público ao dançar ao som da toada “Sinhazinha do meu boi”. Já o levantador oficial, David Assayag, deu voz à canção “Olhar de Curumim”, concorrente no festival nas categorias de letra e melodia. Em um momento de grande simbolismo, o corpo coreográfico montou uma grande bandeira do Brasil na arena.

Lenda e Tradição na Arena

A figura de Isabelle Nogueira ganhou destaque dentro da lenda “A Lendária Epopeia de Tamapú”, que narra a paixão entre o guerreiro Tamapú e a filha do Urubu-Rei. A encenação deu vida a essa fábula com Isabelle aparecendo caracterizada como uma híbrida de mulher e ave de rapina.

Em outro momento, a Rainha do Folclore, Lívia Christina, surgiu na cena da Figura Típica Regional, representando as tacacazeiras da Baixa. Antes de se apresentar, distribuiu cuias de tacacá para mulheres caracterizadas como vendedoras da iguaria, criando uma conexão sensorial com a plateia através do aroma emitido pela alegoria.

O amo João Paulo Faria retornou ao centro da arena para declamar versos em homenagem ao passado do bumbá. Em cena, apareceu trajando o figurino utilizado por seu tio Paulinho Faria, o Garotinho de Ouro, durante a emblemática apresentação de 1978, com destaque para o boi biônico com chifres e coração negro na testa.

Encerramento com o Ritual Ajté

Nos momentos finais da apresentação, a arena foi tomada pela imponência do “Ritual Ajté”, que retrata uma cerimônia do povo Madija Kulina. Com efeitos marcantes e movimento, a cena capturou a atenção do público.

Durante o ritual, que une espiritualidade e tradição, um conflito foi resolvido pela intervenção simbólica do Tocorime Onça, restabelecendo o equilíbrio entre os participantes. O Pajé Adriano Paketá surgiu da alegoria e iniciou sua performance guiado pela toada “Xamã Basese”.

O Boi Garantido volta ao Bumbódromo neste domingo (29) para sua última apresentação no festival, fechando sua participação na disputa deste ano.