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Fiscalização apreende medicamentos “Mounjaro” vendidos ilegalmente em Manaus

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Ação conjunta combate publicidade enganosa e comércio clandestino de produtos emagrecedores sem prescrição médica

Foto: Antonio Pereira / Semcom

Uma operação de fiscalização realizada na quinta-feira (5/2) resultou na apreensão de medicamentos à base de tirzepatida, conhecidos popularmente como “Mounjaro”, que estavam sendo comercializados de forma irregular em Manaus. A ação teve como objetivo coibir a venda clandestina e a divulgação enganosa desses produtos, principalmente por meio das redes sociais, sem prescrição médica e em desacordo com as normas sanitárias.

Durante a fiscalização, foram apreendidos 21 itens, sendo 19 seringas fracionadas sem qualquer identificação, rótulo ou descrição, além de uma ampola de Lipoless e uma ampola de tirzepatida. Todos os produtos estavam sendo vendidos de forma clandestina e não possuíam registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

A operação também resultou na solicitação de exclusão de um vídeo publicado nas redes sociais que promovia a comercialização irregular do medicamento. O conteúdo foi o ponto de partida para o desencadeamento da ação conjunta.

Segundo os órgãos envolvidos, a fiscalização tem caráter preventivo e busca alertar a população sobre os riscos do uso de medicamentos adquiridos fora dos canais legais, especialmente os chamados produtos “da moda”, voltados para o emagrecimento rápido. O consumo dessas substâncias sem orientação médica pode causar sérios danos à saúde.

A ação contou com a participação da Vigilância Sanitária de Manaus, da Delegacia Especializada em Crimes contra o Consumidor, do Conselho Regional de Farmácia do Amazonas e do Conselho Regional de Medicina do Amazonas, reforçando a atuação integrada no combate a práticas que colocam a saúde pública em risco.

No local fiscalizado, o estabelecimento foi autuado por diversas irregularidades, como a comercialização de medicamentos em desacordo com normas sanitárias, publicidade abusiva, ausência de emissão de nota fiscal, falta de exemplar do Código de Defesa do Consumidor e inexistência de placa informativa obrigatória ao consumidor.

O gerente de Vigilância de Medicamentos da Visa Manaus, João Kinsey, explicou que a eficácia da tirzepatida depende diretamente do armazenamento correto, que deve ocorrer em temperaturas entre 2 °C e 8 °C. Segundo ele, quando não se conhece a procedência do medicamento ou as condições em que foi transportado e armazenado, há risco de alteração da estrutura química do produto, comprometendo sua segurança e eficiência terapêutica.

A Vigilância Sanitária foi responsável por verificar a origem dos medicamentos, a existência de registro junto à Anvisa, as informações obrigatórias nos rótulos, a autorização do local para manipulação e venda, além das condições adequadas de armazenamento.

O delegado Rafael Guevara dos Santos, da Delegacia Especializada em Crimes contra o Consumidor, afirmou que a comercialização de tirzepatida de marcas proibidas ou de origem desconhecida configura crime grave contra a saúde pública, previsto no artigo 273 do Código Penal, que trata da falsificação, adulteração ou venda de medicamentos irregulares.

As substâncias apreendidas serão encaminhadas para perícia. A proprietária do estabelecimento, que não estava no local no momento da fiscalização, será intimada, e um inquérito policial será instaurado para apurar todas as circunstâncias do caso.

As autoridades reforçam o alerta para que a população desconfie de ofertas de medicamentos feitas pelas redes sociais e denuncie práticas irregulares por meio dos canais oficiais, como o Disque 151 ou o WhatsApp (92) 98802-3893.