Amazonas
Do terreiro à arena: Garantido celebra sua história no último dia de Parintins

Para seu último dia de Festival Folclórico de Parintins, o Boi-Bumbá Garantido trouxe à tona o tema “Amor por toda a vida”, fazendo uma apresentação repleta das toadas que marcaram a história do bumbá.
Em sua última apresentação no bumbódromo neste ano, o Boi-Bumbá Garantido entrou na arena prometendo “uma viagem sentimental pela trajetória de lutas e glórias do Boi do Povão”.
Em sua primeira alegoria, o Garantido trouxe para a arena a “Celebração Folclórica: A oitava Maravilha”. O Garantido fez uma viagem ao terreiro onde Lindolfo Monteverde, ainda criança, sonhava com seu boizinho feito de curuatá, passando pelas quadras esportivas e tablados usados como palco nos primeiros Festivais.
Foi relembrando esses momentos que o bumbá trouxe à arena um dos momentos mais marcantes dessa temporada, ao colocar toadas cantadas pelo próprio Lindolfo Monteverde (relembrando a promessa feita por ele quando ainda era criança) e por Paulinho Farias, saudoso apresentador encarnado.
Logo no início, o levantador Sebastião Junior cantou para fazer a arena tremer, enquanto a porta-estandarte Lívia Christina surgiu no meio da galera, iniciando sua participação, um dos grandes destaques desta noite. Além dela, a cunhã-poranga teve seu momento ao surgir dentro da alegoria “Mapinguari”, apresentada também em 1997, mostrando a história dessa criatura – às vezes maligna, às vezes do bem – que só pode ser derrotada pela mulher mais forte da aldeia. Esse papel coube a Isabelle, que mais uma vez teve uma boa apresentação e mostrou desenvoltura e domínio de arena.
Em sua segunda alegoria, foi retratado os romeiros de Nossa Senhora do Carmo, em alusão à “Festa da Padroeira” e também à toada de 1991, feita para a santa padroeira de Parintins pelo compositor Chico da Silva. Foi nesta alegoria, uma mistura de catolicismo com sincretismo religioso, que surgiu a rainha do folclore Edilene Tavares, evoluindo em um traje que remetia às romeiras e à fé de Parintins.
Ainda neste clima de saudosismo misturado com auto-homenagem, a sinhazinha da fazenda Valentina Coimbra entrou na arena toda de vermelho, usando um modelo tradicional da década de 1970. Ainda que tenha tido apenas um ato durante o espetáculo, ela se mostrou à vontade dentro da alegoria em que surgiu e principalmente em seu momento com o boi-bumbá.
No caso dos itens masculinos, o apresentador Israel Paulain deu o tom da apresentação levando o público a uma viagem pela história do bumbá e a importância de relembrá-la. Enquanto Sebastião Junior parecia claramente mais à vontade ao lidar com toadas mais consagradas, assim como o próprio item 19 que sabia de cor todas as canções da noite. Eles também participaram de uma romaria feita no meio do público, o que pode ser entendido como uma expressão de fé – na santa católica ou em seu bumbá, ou nos dois.
Encerrando sua participação na arena, o amo do boi, João Paulo Farias, foi outro destaque da noite – o que não será admitido pelo lado azul e branco. No início, ele se mostrou emocionado com a homenagem feita ao tio, Paulinho Farias, e depois feroz em seus desafios ao Boi Caprichoso e ao amo Prince do Boi. Novamente ele questionou as origens do boi da francesa, a classe social de quem torce para ele e chegou a pedir para ser vaiado pela galera do Touro-Negro (algo que eles não poderiam fazer, tendo em vista que perderiam pontos).
Por fim, o último a entrar na arena foi o sempre constante Adriano Paketa, o Pajé, que surgiu durante a Lenda Amazônica “Kamrãpi”, trazendo também a última alegoria da noite. Apesar de ela estar claramente incompleta, o item mostrou novamente sua força e talento já conhecidos, tendo tempo para evoluir e fechar a apresentação desta noite.
Por fim, Israel Paulain saiu da arena pedindo para que a torcida gritasse “é campeão”, já trazendo expectativas para a apuração de hoje (2).
Foto: Jeiza Russo