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Milei endurece disputa pelas Malvinas e amplia pressão sobre empresas de petróleo

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Argentina abriu processos contra empresas ligadas à exploração de hidrocarbonetos no arquipélago e prepara novas medidas enquanto Trump sinaliza revisão da posição dos EUA sobre a soberania das ilhas.

Foto: Reprodução

O presidente da Argentina, Javier Milei, voltou a colocar a disputa pelas Ilhas Malvinas no centro da agenda nacional e adotou medidas mais duras contra empresas envolvidas na exploração de petróleo na região. A ofensiva ocorre em meio à sinalização do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que Washington pode rever sua tradicional posição de neutralidade sobre a soberania do arquipélago.

Em pronunciamento nacional realizado em 3 de setembro, Milei reafirmou que as Malvinas pertencem à Argentina “por história e por direito” e anunciou medidas para ampliar a pressão sobre empresas que atuam na exploração de hidrocarbonetos sem autorização do governo argentino.

A primeira ofensiva formal atingiu 45 pessoas e empresas, contra as quais a Argentina abriu procedimentos sancionatórios com base na legislação nacional. Segundo o governo, os envolvidos estariam relacionados a atividades de exploração e produção de hidrocarbonetos nas áreas reivindicadas pelo país.

Na sequência, o governo argentino ampliou a ofensiva. Em 8 de setembro, anunciou procedimentos contra mais 15 envolvidos, elevando para 60 o número de pessoas e empresas alcançadas pelas medidas administrativas.

Pressão sobre projeto de petróleo

O principal foco da disputa é o projeto Sea Lion, associado à exploração de petróleo na região das ilhas. O governo argentino também anunciou medidas legislativas e administrativas para tentar impedir o avanço das atividades.

Em 7 de setembro, a Argentina informou ainda que apresentaria uma denúncia criminal contra empresas ligadas ao projeto, entre elas companhias associadas à Navitas Petroleum e à JHI Associates.

Milei também determinou a adoção de medidas para reforçar a presença argentina na região, incluindo a criação de uma base naval na Terra do Fogo. Apesar do endurecimento, o governo argentino afirma que sua estratégia para recuperar a soberania sobre as ilhas é diplomática e não militar.

Trump abre espaço para mudança na posição americana

A movimentação argentina ganhou força depois de Trump declarar, em 31 de agosto, que estava reavaliando a posição dos Estados Unidos sobre as Malvinas. O presidente americano, no entanto, não anunciou até agora uma mudança formal na política de Washington.

Milei interpretou a declaração como um possível avanço diplomático para Buenos Aires e associou a eventual mudança à proximidade entre os dois governos.

O Reino Unido, por sua vez, mantém sua posição sobre o arquipélago e defende o direito de autodeterminação dos habitantes das ilhas. A disputa permanece sem solução desde a Guerra das Malvinas, em 1982.

Mudança de tom de Milei

A nova postura representa um endurecimento em relação ao tom adotado pelo governo argentino nos primeiros anos da gestão Milei. O presidente havia defendido que a reivindicação sobre as ilhas deveria avançar por meios diplomáticos e, ao mesmo tempo, buscou manter uma relação próxima com o Reino Unido.

O tema também expõe uma contradição política explorada por seus críticos. Em 2023, antes de assumir a Presidência, Milei classificou a ex-primeira-ministra britânica Margaret Thatcher como uma das “grandes líderes” da história. Thatcher comandava o governo britânico durante a Guerra das Malvinas.

Agora, diante da retomada da exploração de petróleo e da possibilidade de uma mudança na postura americana, o governo argentino elevou o tom da reivindicação.

A questão ocorre ainda em um cenário doméstico delicado para Milei. Pesquisas recentes apontam queda na aprovação do presidente, enquanto a disputa pelas Malvinas volta a ocupar espaço no debate político argentino. Uma pesquisa da AtlasIntel citada pela Bloomberg Línea registrou 37% de aprovação para Milei em julho.

A estratégia argentina, portanto, combina pressão jurídica e econômica sobre empresas, medidas diplomáticas e reforço da presença estatal na região, enquanto Buenos Aires tenta aproveitar uma possível mudança no posicionamento de Washington para fortalecer sua reivindicação sobre as ilhas.