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Zelensky propõe encontro direto com Putin e oferece cessar-fogo durante negociações
Presidente ucraniano faz apelo público por diálogo presencial; Kremlin diz que líder de Kiev pode viajar a Moscou, mas impasse sobre condições para a paz permanece

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, fez um novo apelo ao presidente da Rússia, Vladimir Putin, para tentar encerrar mais de quatro anos de conflito entre os dois países. Em uma carta aberta divulgada na noite de quinta-feira (4), o líder ucraniano propôs uma reunião presencial entre ambos e afirmou que Kiev está disposta a interromper completamente as ações militares enquanto as negociações estiverem em andamento.
Na mensagem, Zelensky defendeu que apenas um diálogo direto entre os dois chefes de Estado poderá abrir caminho para uma solução definitiva da guerra.
“Proponho um encontro”, escreveu o presidente ucraniano, acrescentando que a Ucrânia está pronta para suspender as hostilidades durante todo o período de conversas.
Zelensky afirma que Rússia falhou em seus objetivos
No texto, o líder ucraniano também argumentou que Moscou não esperava a resistência apresentada por Kiev desde o início da invasão em larga escala, iniciada em fevereiro de 2022.
Segundo Zelensky, a guerra chegou ao quinto ano sem que a Rússia alcançasse os objetivos estabelecidos quando lançou a ofensiva militar. Ele afirmou que chegou o momento de Putin buscar uma saída negociada para o conflito.
Kremlin responde à proposta
A reação de Moscou ocorreu poucas horas após a divulgação da carta. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, declarou que Zelensky poderia viajar à capital russa “a qualquer momento” para um encontro. No entanto, informou que Putin ainda não havia tomado conhecimento do conteúdo da mensagem.
Também na quinta-feira, durante uma conversa com jornalistas estrangeiros, o presidente russo reafirmou que continua disposto a discutir uma solução para a guerra. Segundo ele, eventuais negociações poderiam se basear nos entendimentos alcançados durante sua reunião com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, realizada em Anchorage, em agosto de 2025.
Exigências russas seguem como principal obstáculo
Apesar das manifestações públicas favoráveis ao diálogo, as posições das duas partes continuam distantes.
Entre as exigências defendidas por Moscou está a retirada total das tropas ucranianas da região de Donetsk, no Donbass. Kiev considera essa condição inaceitável, por entender que significaria abrir mão de territórios considerados estratégicos e reconhecer perdas territoriais impostas pela guerra.
Putin também afirmou que um eventual acordo de paz não impediria a Rússia de consolidar seu controle sobre todo o Donbass, região localizada no leste da Ucrânia e considerada importante devido à sua riqueza mineral e relevância econômica.
Combates continuam enquanto diplomacia avança lentamente
Mesmo com os sinais de abertura para negociações, os confrontos permanecem intensos ao longo da linha de frente.
Putin afirmou que as forças russas seguem avançando em diversos setores do campo de batalha. Entretanto, dados analisados pela agência AFP com base em informações do Instituto para o Estudo da Guerra (ISW) indicam que a Ucrânia recuperou cerca de 282 quilômetros quadrados de território durante o mês de maio.
O avanço representa o segundo mês consecutivo de redução das áreas ocupadas pela Rússia. Ainda assim, militares russos continuam presentes em partes dos territórios retomados pelas tropas ucranianas.
Rússia quer reforçar defesa aérea
Durante o mesmo encontro com jornalistas, Putin anunciou planos para ampliar a capacidade dos sistemas de defesa antiaérea russos após recentes ataques de drones contra instalações militares e energéticas, especialmente na região de São Petersburgo.
O presidente russo afirmou que o sistema atual precisa ser fortalecido e garantiu que novos investimentos serão realizados para ampliar sua eficácia.
Putin também voltou a mencionar a possibilidade de expandir o uso do míssil balístico hipersônico Oreshnik contra alvos ucranianos. Segundo ele, o armamento possui capacidade para transportar ogivas nucleares.
Guerra perde espaço na agenda dos Estados Unidos
Enquanto Rússia e Ucrânia mantêm o impasse, a guerra deixou de ocupar posição central na agenda política norte-americana. A escalada das tensões envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos passou a concentrar maior atenção da Casa Branca.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que nenhuma das partes demonstrou disposição suficiente para fazer as concessões necessárias para um acordo de paz, ressaltando que a resistência é maior do lado russo.
O próprio Putin avaliou que Washington está focado prioritariamente nos acontecimentos do Oriente Médio.
Zelensky também lamentou a mudança de prioridades. Durante visita do secretário-geral da Otan, Mark Rutte, a Kiev, o presidente ucraniano afirmou que seu país deixou de ser a principal preocupação da administração norte-americana.
Segundo ele, o conflito com o Irã passou a ocupar o topo das atenções dos Estados Unidos, enquanto a guerra na Ucrânia ficou em segundo plano.
Em entrevista recente à emissora CBS, Zelensky voltou a solicitar mais sistemas de defesa aérea produzidos pelos Estados Unidos e defendeu o aumento da pressão internacional sobre Moscou, incluindo novas sanções econômicas.