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Delação de ex-controlador do Banco Master avança nos bastidores e pode impactar cenário político em Brasília

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Daniel Vorcaro articula proposta com a PF enquanto ação no STF pode restringir uso de delações e acelerar estratégia da defesa

A negociação de um possível acordo de delação premiada envolvendo o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, segue em fase preliminar e ainda distante de sua formalização. A expectativa é que a proposta só seja oficialmente apresentada no início de maio, esfriando qualquer previsão de avanço imediato no caso.

Apesar disso, os bastidores em Brasília permanecem em alerta. A defesa de Vorcaro já trabalha na estruturação do material que servirá de base para a negociação com as autoridades, mantendo sob sigilo o conteúdo da eventual colaboração.

Nos últimos dias, advogados do ex-banqueiro têm comparecido com frequência à Superintendência da Polícia Federal na capital federal. Nesses encontros, Vorcaro presta depoimentos iniciais, nos quais relata episódios ligados à sua atuação e cita possíveis envolvidos — procedimento comum na fase preparatória de acordos desse tipo.

As informações coletadas estão sendo organizadas em anexos técnicos, que serão encaminhados à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República. Caberá aos órgãos avaliar a consistência dos relatos e a relevância das informações apresentadas. A partir dessa análise, será decidido se a proposta será rejeitada ou se avançará para a etapa formal de negociação.

Caso haja sinal verde, o processo entra na fase mais sensível: a definição das contrapartidas. Nesse estágio, devem ser discutidos valores que Vorcaro poderá pagar ao Estado, incluindo multas e eventuais ressarcimentos relacionados aos fatos investigados.

A movimentação da defesa ganhou urgência diante de um processo em tramitação no Supremo Tribunal Federal que pode mudar as regras do jogo. A ação, movida pelo Partido dos Trabalhadores, questiona a possibilidade de medidas como buscas e apreensões serem fundamentadas exclusivamente em delações premiadas.

Se a tese avançar na Corte, o instrumento pode perder força, o que impactaria diretamente estratégias jurídicas em curso. Diante desse cenário, a defesa busca acelerar a formalização da proposta e estuda a possibilidade de solicitar um habeas corpus para Vorcaro, tentando garantir margem de manobra antes de uma eventual mudança no entendimento do STF.