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Desaparecimento de irmãos no Maranhão completa um mês e mãe levanta suspeita de sequestro

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Allan Michael, de 4 anos, e Ágatha Isabelly, de 6, sumiram em Bacabal; buscas continuam em mata fechada e no rio Mearim, enquanto família acredita em tráfico de crianças

Foto: Arquivo Pessoal

O desaparecimento dos irmãos Allan Michael, de 4 anos, e Ágatha Isabelly, de 6, completa um mês nesta quarta-feira (4). As crianças foram vistas pela última vez no quilombo São Sebastião dos Pretos, em Bacabal, no Maranhão. O primo deles, Anderson Kauan, de 8 anos, também havia sumido, mas foi encontrado no povoado Santa Rosa, vizinho à comunidade onde desapareceram, no dia 7 de janeiro.

Após ser localizado, Anderson ficou 14 dias internado. Quando recebeu alta, levou os policiais pelo trajeto que teria percorrido com os primos até uma cabana abandonada próxima às margens do rio Mearim.

Segundo o comandante-geral do Corpo de Bombeiros Militar do Maranhão, coronel Célio Roberto, o resgate do menino mudou as estratégias de busca. Em depoimento, Kauan relatou que se perdeu depois de levar os primos até um pé de maracujá. Ao tentarem voltar para a casa da avó, caminharam mais de três quilômetros por mata fechada durante dois dias, até encontrarem uma “casa caída”. O garoto contou que decidiu deixar os primos no local para buscar ajuda e acabou sendo encontrado por carroceiros.

Mãe acredita em sequestro

A mãe das crianças, Clarice Cardoso, afirmou em entrevista ao canal do jornalista Paulo Mathias que acredita que os filhos foram sequestrados e possam ter sido vítimas de tráfico humano. Ela disse não acreditar no envolvimento de moradores da própria comunidade.

Clarice também revelou que tem um suspeito, cujo nome já foi repassado à Polícia Civil, mas não divulgado publicamente. Desde o início das buscas, ela diz sentir que os filhos não se perderam na mata. “Meu coração de mãe fala que levaram meus filhos”, declarou.

Apesar da suspeita, a mãe reforçou que não imagina que alguém do quilombo tenha participação no caso. “Nós somos todos como família. Se foi alguém de dentro, seria uma traição contra o quilombo”, afirmou.

Buscas continuam no Maranhão

A área de buscas tem cerca de 54 quilômetros quadrados e é composta por vegetação densa, terreno irregular, poucas trilhas e difícil acesso, além de açudes, lagos e o rio Mearim.

Militares da Marinha utilizam sonar para varrer o rio em busca de vestígios. O equipamento permite mapear áreas submersas e gerar imagens do fundo, mesmo em locais com baixa visibilidade.

De acordo com a Secretaria de Segurança Pública do Maranhão, as equipes concentram os trabalhos no povoado São Sebastião dos Pretos, onde as crianças moravam, e em Santa Rosa, onde Anderson foi encontrado. A operação envolve Polícia Civil, Polícia Militar, Corpo de Bombeiros, Defesa Civil, cães farejadores, helicópteros e equipes em terra, com apoio de voluntários.

No dia 24 de janeiro, uma denúncia anônima informou que Ágatha e Allan teriam sido vistos em um hotel no bairro da República, no centro de São Paulo. Após apuração, a Polícia Civil descartou a informação, confirmando que não se tratava das crianças desaparecidas.