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Popularidade de Macron despenca a 14% em meio a instabilidade política inédita na França

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Quarto primeiro-ministro em 10 meses, crises parlamentares e reformas controversas aprofundam a rejeição ao presidente francês

Foto: Reprodução

A confiança dos franceses em Emmanuel Macron atingiu o nível mais baixo desde o início de seu mandato, em meio a uma crise política sem precedentes. Uma pesquisa do instituto Elabe, divulgada nesta quinta-feira (9), aponta que apenas 14% da população aprova a atuação do presidente, igualando o recorde negativo de François Hollande registrado em 2016.

Segundo o levantamento, a popularidade de Macron caiu três pontos no último mês, sete pontos nos últimos dois meses e 13 desde março de 2025. Para Bernard Sananès, presidente do Elabe, trata-se de mais do que uma crise de impopularidade: “É agora uma crise de hostilidade”, declarou ao jornal Les Echos. Entre os eleitores que votaram nele no primeiro turno de 2022, apenas 38% mantêm confiança em seu governo.

A instabilidade política se reflete na sucessão de primeiros-ministros. Sébastien Lecornu, que assumiu o cargo em 10 de setembro, renunciou em menos de um mês, tornando-se o quarto premiê em apenas 10 meses e o quinto desde o início do segundo mandato de Macron. Lecornu havia sido designado para buscar consenso no Parlamento e garantir a aprovação do orçamento de 2026, mas alegou falta de condições para continuar após anunciar um gabinete semelhante ao anterior.

Após a renúncia, Macron solicitou que Lecornu permanecesse à frente das questões administrativas e conduzisse negociações para formar uma nova base de apoio político. A situação do Executivo francês é agravada pelo histórico recente: a reforma da Previdência de 2023, aprovada sem aval final da Assembleia Nacional durante o governo de Élisabeth Borne, alimentou a vitória da coalizão de esquerda Nova Frente Popular nas eleições antecipadas de 2024, intensificando a tensão parlamentar.

Enquanto deputados centristas e de direita manifestam preocupação com uma possível dissolução da Assembleia, representantes de diferentes partidos consideram que o Parlamento atual não tem condições de continuar. Apesar das especulações, a sede do governo confirmou que um novo primeiro-ministro será anunciado “nas próximas 48 horas”, descartando, por enquanto, a dissolução da Casa. Questionado sobre a escolha, Lecornu afirmou: “É o presidente que decide”.

Fonte: Revista Oeste