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Governo alerta sobre risco de isolamento de Manaus devido à seca na Amazônia

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Foto Rafa Neddermeyer/ Agência Brasil

O governo federal está preocupado com o risco de a seca na Amazônia reduzir o nível dos rios a ponto de isolar Manaus do ponto de vista logístico. Isso poderia impossibilitar o transporte de mercadorias por via fluvial para a capital do Amazonas, que conta com 2,3 milhões de habitantes.

A situação foi discutida ontem por técnicos no Palácio do Planalto. De acordo com informações do Broadcast Político, serviço de notícias online do Grupo Estado, foi apresentada uma projeção de que o nível crítico dos rios pode ser atingido em até 22 dias.

A principal preocupação é com o armazenamento de combustíveis. Outros itens essenciais, como medicamentos, poderiam ser transportados por avião em situações de emergência. Uma solução considerada seria transportar combustíveis até Itacoatiara (AM), que está mais próxima da foz do Amazonas do que Manaus e tem acesso à capital do estado por via terrestre. Este trajeto pelo rio tem menos probabilidade de ser comprometido do que o caminho direto até Manaus.

Seca Manaus e região: preocupações

O governo ainda se preocupa com a atividade de piratas na região Um aumento no movimento de cargas no local poderia ser um chamariz para os criminosos. Esse foi um dos motivos de a Polícia Federal estar representada na reunião técnica desta segunda-feira, na Casa Civil, que também teve a participação do Ibama e outros órgãos.

Além disso, foi discutida a situação de navegabilidade de outros rios amazônicos, como o Madeira. O nível da água em alguns locais está tão baixo que, na avaliação de fontes ouvidas pela reportagem, nem dragagens seriam suficientes para normalizar o tráfego.

O Rio Solimões, por exemplo, chegou na sexta-feira, 30, ao menor nível da história no trecho que passa pela cidade de Tabatinga, no Amazonas, de acordo com relatório divulgado pelo Serviço Geológico Brasileiro (SGB). O órgão nunca havia registrado uma cota tão baixa neste mês. O relatório do SGB também aponta situação preocupante nos Rios Amazonas e Negro.

Atualmente, o problema ambiental que mais mobiliza as principais autoridades do Palácio do Planalto são os incêndios na Amazônia, no Pantanal, em São Paulo e outros lugares. Havia a expectativa de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reunir governadores na semana passada para discutir o assunto.

Mas não havia sido fechada uma proposta federal para apresentar aos chefes de governo estadual. Há a expectativa de o tempo ficar mais seco nas próximas semanas, deixando o cenário ainda mais favorável para queimadas.