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Protestos explodem na Venezuela após alegações de fraude eleitoral

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O Observatório Venezuelano de Conflitos disse ter registrado 187 protestos em 20 Estados até as 18h de segunda-feira, com “vários atos de repressão e violência”; até a estátua de Hugo Chávez foi derrubada

Protestos se espalharam por toda a Venezuela, e a polícia usou gás lacrimogêneo na capital, Caracas, depois que a oposição alegou ter provas de que venceu a eleição do fim de semana, oficialmente concedida ao presidente socialista Nicolás Maduro.

As manifestações começaram após a junta eleitoral, que os críticos dizem estar sob influência do governo, declarar na segunda-feira que Maduro conquistou um terceiro mandato com 51% dos votos, prolongando o domínio de 25 anos do movimento “chavista”.

A oposição afirmou que os 73% das apurações de votos a que tem acesso mostram que seu candidato, Edmundo González, obteve uma vitória esmagadora, com mais que o dobro dos votos de Maduro.

Muitos venezuelanos realizaram “panelaços”, bloquearam vias, acenderam fogueiras e jogaram bombas de gasolina contra a polícia. Os protestos se intensificaram pelo país, inclusive perto do palácio presidencial de Miraflores, em Caracas.

“Estamos cansados desse governo, queremos uma mudança. Queremos ser livres na Venezuela. Queremos que nossas famílias voltem para cá”, disse um manifestante mascarado, referindo-se ao êxodo de cerca de um terço dos venezuelanos nos últimos anos.

A polícia em Caracas e na cidade de Maracay disparou gás lacrimogêneo para dispersar os protestos. Muitos manifestantes andavam de moto, bloqueavam ruas ou se cobriam com a bandeira venezuelana. Alguns cobriram seus rostos com lenços para se proteger do gás lacrimogêneo.

O governo os chama de agitadores violentos. “Lutarei pela democracia de meu país. Eles roubaram a eleição de nós”, disse um manifestante não identificado.

Estátua de Chávez atacada

Em Coro, a capital do Estado de Falcón, os manifestantes aplaudiram e dançaram quando derrubaram uma estátua representando o falecido presidente Hugo Chávez, mentor de Maduro que governou de 1999 a 2013.

Um grupo de monitoramento local, o Observatório Venezuelano de Conflitos, disse ter registrado 187 protestos em 20 Estados até as 18h de segunda-feira, com “vários atos de repressão e violência” realizados por grupos paramilitares e forças de segurança.

Maduro, em uma transmissão ao vivo do palácio presidencial, disse que suas forças estavam mantendo a paz. As Forças Armadas o apoiam há muito tempo e não há sinais de que os generais estejam rompendo com o governo.

“Estamos acompanhando todos os atos de violência promovidos pela extrema-direita”, afirmou Maduro. “Já vimos esse filme antes.”

Mortes

Pelo menos duas pessoas foram mortas em conexão com a contagem de votos ou com os protestos, uma no Estado fronteiriço de Táchira e outra em Maracay.

Maduro, um ex-líder sindical e ex-ministro das Relações Exteriores de 61 anos, venceu as eleições após a morte de Chávez em 2013 e foi reeleito em 2018. A oposição disse que ambos os pleitos foram fraudados.

Ele presidiu um colapso econômico, migração em massa e deterioração das relações com o Ocidente, incluindo sanções dos Estados Unidos e da União Europeia que prejudicaram um setor petrolífero já em dificuldades.

Seu ministro da Defesa, Vladimir Padrino, alertou contra a possibilidade de uma repetição das “situações terríveis de 2014, 2017 e 2019”, quando ondas de protestos contra o governo causaram centenas de mortes e não conseguiram destituir Maduro.

Foto: Raul Arboleda/AFP