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Projeto ‘Pai Resgatando Vidas’ revela sombra: Pai Marcos é acusado de trocar alimentos por sexo com vulneráveis

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Na tarde desta terça-feira (7), durante uma coletiva de imprensa, o delegado Marcelo Martins, titular do 24º Distrito Integrado de Polícia (DIP), apresentou detalhes da “Operação O Pai Tá Off”, que culminou na prisão de Cid Marcos Bastos Reis Maia, fundador do projeto “Pai Resgatando Vidas”. Segundo as investigações, a organização criminosa, disfarçada como uma Organização Não Governamental (ONG), estava envolvida em atividades ilícitas.

De acordo com o delegado, as vítimas relataram que Marcos, conhecido como “Pai Marcos”, explorava mulheres em situação de vulnerabilidade, incluindo usuárias de drogas, oferecendo comida e abrigo em troca de relações sexuais. Durante as buscas realizadas em Manaus e Iranduba, onde o projeto tinha suas sedes, foi encontrada uma grande quantidade de preservativos. Além disso, testemunhas relataram à polícia que Marcos dormia com crianças em um quarto dentro do abrigo.

A operação visava desmantelar essa atividade criminosa que se aproveitava da vulnerabilidade social das pessoas para obter vantagens indevidas. Marcos foi preso e agora enfrentará as acusações relacionadas à exploração sexual e outras práticas ilegais perpetradas sob o disfarce de assistência social.

Investigações

Conforme o delegado Marcelo Martins, titular do 24° DIP, as investigações revelaram que os autores criaram a referida ONG com objetivos escusos, utilizando a imagem e a situação de vulnerabilidade de moradores de rua adictos para obter doações e vantagens financeiras. Em vez de serem revertidas em benefício dos vulneráveis, essas verbas eram desviadas para o benefício próprio dos autores.

A ONG tinha sede na avenida Joaquim Nabuco, bairro Centro, zona sul de Manaus, e atuava no município de Iranduba (a 27 quilômetros da capital).

“As investigações tiveram início a partir de diversas denúncias contra indivíduos ligados ao referido projeto social. As denúncias apontavam para a criação de uma espécie de reality show on-line que explorava a vida e o sofrimento de pessoas em situação de vulnerabilidade. Por meio de publicações sequenciais e em grande quantidade de imagens chocantes, os idealizadores do projeto buscavam aumentar o número de seguidores e, consequentemente, obter mais doações”, explicou o delegado;

Foto: Beatriz Sampaio/PC-AM

Ainda segundo a autoridade policial, a apuração revelou a ausência de qualquer tipo de prestação de contas ou elemento de transparência financeira. Diante disso, ficou claro que muito pouco dos recursos doados foram realmente destinados aos beneficiários do projeto. As investigações indicam a prática de crimes, em especial lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio.

Os bens adquiridos por meio de lavagem de dinheiro e ocultação de bens possuem alto padrão, demonstrando o estilo de vida luxuoso dos principais membros da organização criminosa. Essa ostentação fica evidente em fotos nas quais eles exibem dinheiro, carros e barcos.

Foto: Beatriz Sampaio/PC-AM

Operação

Segundo o delegado, o nome da operação faz referência a expressão “O pai tá On”, utilizada pelo líder do grupo, que se denominava “Pai Marcos Bastos”. No decorrer da investigação, oito mandados de prisão foram decretados pela Justiça para os membros do grupo, composto pela mãe, irmã, sobrinhos e filho adotivo. Todos são da mesma família, mas somente Cid Marcos e Wilson foram presos, os demais estão foragidos e as diligências seguem para capturá-los.

Em uma investigação meticulosa que durou cerca de seis meses, a equipe policial realizou uma análise aprofundada das finanças do grupo e, com base em relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), descobriu uma movimentação financeira superior a R$ 20 milhões.

“Diante das provas reunidas, a Justiça decretou a prisão preventiva dos envolvidos, a busca e apreensão de bens e o sequestro de aproximadamente 30 veículos, 4 embarcações e 2 imóveis. Todos esses bens foram obtidos com recursos provenientes da organização criminosa”, detalhou Martins.

Também foram coletados diversos dados importantes, além de duas armas de fogo. Uma decisão judicial determinou o bloqueio das redes sociais utilizadas pela ONG, pois eram utilizadas com má-fé, ou seja, serviam para obter doações de pessoas de outros estados e países, como Bélgica, Alemanha, França e Irlanda, que doaram valores em euros para a organização.

Os autores responderão por organização criminosa, estelionato, maus-tratos, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio.

Foto: Reprodução Internet